sábado, 25 de outubro de 2008

"O último Soldado"

Norte da Inglaterra, verão de 1960.

Essa é um pequeno livro que estava embaixo de uma árvore, que um senhor acaba de encontrar, nele está escrito o seguinte:



Capitulo 1 - Um Sonho


Hoje é sexta-feira, mês de dezembro de 1960, o céu esta limpo e aqui embaixo dessa árvore esta fresco enquanto o sol começa a nascer...

Escrevo isso e não tenho a intenção que alguém leia, é apenas umas historia que eu devo a alguém que amo, são algumas folhas de papéis que descasam no colo do tempo, e hoje eu descansarei também em seu colo. Meu amor, hoje, depois de tanto tempo você vai ler isso... vai sim.

Esse lugar não me traz boas lembranças, mas me traz a maior delas. Hoje o aroma não é mais o mesmo, mas ainda sinto o cheiro de pólvora, o clima de morte, ainda ouço o barulho. Agora tudo esta tão bonito, esse riu nem gosto de olhar. Foi aqui, na beira desse riu de águas claras e raso, encostado nessa grande árvore, nessas planices abertas com poucas árvores, um lugar calmo de grama rasteira e sol quente, foi onde tudo terminou, mas antes do fim vem o começo.

Hoje se faz cinco anos e lembro-me de tudo. Terça feira, nessa manha acordei cedo, a primeira coisa q fiz foi lavar o rosto na torneira do tanque peguei a toalha e coloquei sobre o rosto, enxuguei ele e por uns instante fiquei me olhando no espelho. Eu um rapaz chamado Braiwan, 20 anos, cabelo bagunçado e loiro escuro, rosto um pouco esticado, nariz redondo e lábios carnudos e olhando fixamente no espelho me lembrei do sonho que tive...

“Estávamos nas montanhas do sul onde o gelo domina os picos das montanhas, estava friu e chovia muito era dia, porém as nuvens negras escureciam toda a planice a beira da montanha, raios caiam, por todas as partes trovoes eram a trilha sonora de tanta tensão. No chão milhares de homens trajados de verde com armas na mão e a família na cabeça, milhares de homens de encontro a morte depois daquelas montanhas e lá estava eu, o primeiro de muitas filas de homens em posição aguardando as ordens do capitão. Peito estufado e mãos segurando um rifle, olhos fixos no infinito, corpo ereto e em forma, homens sem medo de morrer. Vindo do meio do pelotão o capitão falava em voz alta e com rigidez “Soldados, hoje é dia de suas glórias, vocês serão heróis ao amanhecer, serão lembrados para sempre por seus filhos e por esse país. Não há o que temer, já que chegaram até aqui são homens sem medos sem receios, agora vamos, temos uma guerra para vencer”.

Ele chegou até mim e antes de dar a ordem para marcharmos falou só para mim

“Soldado Braiwan, você está pronto? Você esta no meio deles mas sua guerra é outra”...

Estou pronto para tudo senhor”...

Ele me deu as costa e disse “Vamos ver...” ele deu o sinal e partirmos em marcha montanha a cima, entre raios e Trovões entre medos e angustias e assim o sonho acabou”.

Eu era apenas mais um morador de uma pequena vila pequena com no máximo 5 mil habitantes onde todos eram de artesões, uma vila pobre onde todos se ajudavam gente simples e humilde. As ruas eram de chão batido apenas a avenida principal que era coberta por pedras em pentágono, luz elétrica havia apenas nas casas mais luxuosas. Eu tinha o sonho de ir à guerra, isso me facinava, a adrenalina, o poder de proteger toda uma nação, isso era algo q tinha q viver.

As oito da manha já estava na porta do quartel, fui o primeiro, assinei as papeladas passei por alguns testes e em pouco tempo já estava indo embora com o sorriso no rosto, só tinha q esperar o exército me chamar. As pessoas q cruzavam comigo adoravam me chamar de “o garoto q vai pra guerra” eles sabiam q tudo oq eu mais queria na vida era ir à guerra. Durante um tempo meu apelido era soldadinho, e o sonho estava se realizando! Fui andando pela rua principal com orgulho q eu jamais havia sentido, olhava para as calçadas onde pessoas circulavam entre as barracas de verduras e frutas, homens de terno e gravata andando apresados, donas de casas com seus filhos q não paravam de correr, mas é claro que ninguém olhava pra mim.

Minha mãe, q descanse em paz, dona Luzia, mulher típica da região, um pouco gorda, nada q a atrapalha-se, braços forte, rosto claro como os meus, olhos bem azuis, porem cansados pelo tempo e pelo trabalho, já dava para ver algumas rugas e pés de galinha, cabelo loiro escuro amarrado para traz com presilha, uma camisa velha e branca de homem, por cima um avental feito com saco de arroz.. assim era ela.. Naquele dia ela disse q tudo iria mudar disse q o sonho iria se realizar. Na verdade ela nunca gostou q eu fosse á guerra, mas era meu sonho então me apoiava. Ela me conhecia, sabia q quando eu ponhava uma idéia na cabeça não tirava.Foi nessa manha que ela me disse algo importante

“Filho, você sabe q eu não gosto dessa idéia, você tem seu pai e sua mãe aki, nos te amamos, você sabe, a vida é um mar de surpresas Braiwan, você não será mais o dono da sua vida”

Depois do almoço fui até onde meu pai trabalhava, seu nome era Vinicios, um senhor de 50 anos bem vividos, homem baixo de pele branca, cabelos grisalhos e já careca na parte de cima da cabeça, com um corpo robusto e braços fortes q martelavam algumas taboas para fazer algo, sua profissão era artesão, como todos ali. Como sempre fui ajudá-lo, ele me pediu para entregar uma sexta com flores. Mais uma vez peguei minha velha bicicleta e fui pedalando naquela estrada de chão batido e me enchendo de poeira. A entrega era em uma casa de uma família rica, em sua casa havia luz elétrica, coisa rara para a época. No caminho encontrei uns amigos sentados no banco da praça, eles brincavam, me perguntando se ainda não tinha ido á guerra, parei um pouco e conversei com eles, disse q aqueles poderiam ser uma das últimas vezes q conversamos pois logo estaria na guerra e um deles brincou

“Nossa Braiwan mal se alistou e já pensa que já ta de saída, vai ter que agüentar muito nós ainda”

Bons amigos os que tive mesmo que você não venha a acreditar.